Sábado, 15 de Agosto de 2026

Milhem cortaz: a violência velada ou explícita faz um pouco parte do cotidiano da gente

BrasilO Globo, Brasil 15 de agosto de 2026

Em "Por Você", próxima novela das sete, que estreia nesta segunda na Globo, o ator e ...

Em "Por Você", próxima novela das sete, que estreia nesta segunda na Globo, o ator e padeiro Milhem Cortaz, paulistano, 53 anos, cuja fama transbordou como o policial corrupto Fábio, o 02 de "Tropa de Elite" (2007 e 2010), interpreta Juarez " um comerciante querido no bairro, pai e marido dedicado, só que logo no início da trama provoca um acidente de trânsito fatal e foge sem prestar socorro. Juarez, a exemplo também de outro personagem de sucesso do ator, o assassino Peixeira, em "Carandiru" (2003), é mais um tipo transgressor na trajetória de Milhem, marcada quase sempre por papéis de durões, vilões e aéticos. Na conversa com a repórter Camila Araujo, o ator diz que personagens desse gênero foram os mais populares e ajudaram a mostrar que os conflitos morais fazem parte, no fim das contas, de todo ser humano.
Ao que você atribui ter feito tantos personagens durões, difíceis e moralmente ambíguos?
Esses personagens falam de pessoas que trabalham na dor. E eu acho fascinante. É onde a gente se expõe mais. São os personagens mais ricos e mais humanos, porque estão expostos ao julgamento, ao mundo, a fragilidades. E quando eles se abrem desse jeito criam poesia. Nós que somos os "classe média", os privilegiados, a gente não sabe viver em coletivo. Imagina você colocar um monte de gente na pior situação possível, num quarto?
Ninguém vai suportar. Acho que a violência velada ou explícita, de alguma forma, faz um pouco parte do cotidiano da gente. Quando eu escolho esse tipo de personagem, tem o meu lado político como artista. Nunca fui panfletário. Eu quero botar luz em cima dessas pessoas que precisam de oportunidade, que são fruto de uma violência diária da nossa sociedade.
Você acha que interpretar personagens complexos contribuiu para te sensibilizar neste sentido?
Eles me indicaram o caminho do que eu queria fazer na minha vida, além de ator, que é ser um conector para pessoas poderem liderar a própria vida de novo. E viverem, serem felizes, com todos os problemas que a vida vai continuar tendo, com organização e fé. As pessoas precisam de fé e sonho. Os personagens me mostraram o talento da comunicação com o povo. Eu não posso passar minha vida sem dividir isso com as pessoas.
Em 2003, você surpreendeu ao abrir uma padaria na garagem de sua casa e, recentemente, criou o projeto social "Pão Bom Para Todo Mundo". Que negócio é esse?
O pão me escolheu. Sempre fiz bastante bolo e pão em casa. Veio aí a ideia de criar a padaria. Quanto ao Instituto, eu escutei muito sobre a falta de mão de obra especializada. Então, por que não unir a dignidade para algumas pessoas com a necessidade de outras? Nós formamos padeiros, pizzaiolos e chapeiros, devolvendo essas pessoas para o mercado, onde elas possam sustentar suas famílias.
Em tempo: Receita do pão artesanal caseiro de Cortaz: os ingredientes básicos são 500g de farinha de trigo (integral ou branca), 340ml de água, 5g de fermento biológico seco (ou 150g de levain) e 10g de sal.
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