Domingo, 13 de Septiembre de 2026

Servidores do bc informaram a vorcaro nomes de policiais que o investigavam

BrasilO Globo, Brasil 13 de septiembre de 2026

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que servidores do Banco Central (BC) ...

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que servidores do Banco Central (BC) prestavam consultoria informal a Daniel Vorcaro e orientavam como ele deveria se comportar em reuniões com a presidência da autarquia, além de outros diretores. Havia inclusive um grupo de whatsapp chamado "Master" criado entre os servidores e o banqueiro, que está preso acusado por fraude financeira, lavagem de dinheiro e corrupção. Uma dupla de funcionários ajudou Vorcaro a tentar evitar a liquidação de seu banco em 2025 . Em uma de suas "atividades", eles participaram de uma reunião da PF e vazaram informações ao ex-banqueiro.
Um dos relatórios do inquérito tornado público Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e seu adjunto, Paulo Sérgio Neves de Souza, passaram o conteúdo do encontro ao ex-banqueiro. Eles estão afastados das funções no BC. A PF constatou que tinha sido contra-investigada por Vorcaro quando encontrou um arquivo no celular do banqueiro com os nomes dos policiais que o estavam investigando: o diretor de combate ao crime organizado e à corrupção, o chefe de repressão a crimes financeiros; dois líderes da Operação Compliance Zero e o agente Wilker Goulart. Todos eles tinham participado de uma reunião em 17 de outubro de 2025 com Belline e Paulo Sérgio na qual a PF tentava extrair informações úteis para investigações que já apontavam problemas no Master.
MOVIMENTAÇÕES
Os funcionários do BC não apenas teriam deixado de passar detalhes importantes à PF como informaram Vorcaro da movimentação dos investigadores.
Uma das petições tornadas públicas ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) indica que dois aliados de Daniel Vorcaro dentro do Banco Central podem ter atrasado o processo de liquidação do Master. Por causa da interferência, a fraude só foi comunicada plenamente pela autoridade monetária ao Ministério Público Federal um ano depois de ter levantado suspeitas.
Os dados revelados agora sobre as investigações apontam que cúpula da área de supervisão do Banco Central prestava consultoria informal a Daniel Vorcaro e orientava como ele deveria se comportar em reuniões com a presidência da autarquia, além de outros diretores. Havia inclusive um grupo de whatsapp chamado "Master" criado entre os servidores do BC e o banqueiro.
Os dois funcionários da autoridade monetária orientaram Vorcaro a dizer que a venda do banco Voiter a seu ex-sócio Augusto Lima, geraria um caixa milionário, e que a compra do Will Bank, um banco digital com forte atuação no Nordeste do país, traria muitas sinergias ao Master, e instruíam o dono do Banco Master sobre os argumentos que deveriam ser usados em reuniões com o "Presi" (identificado pela PF como o então presidente do BC, Roberto Campos Neto).
Conforme registrado nos arquivos extraídos do celular de Vorcaro, em 21 de dezembro de 2023, Paulo Sérgio tomou a iniciativa de enviar mensagens de texto ao banqueiro sugerindo pontos específicos que deveriam ser abordados em uma reunião agendada para aquele mesmo dia com o "Presi".
Paulo Sérgio instruiu Vorcaro a enfatizar que os precatórios adquiridos em 2019 contaram com a "prévia anuência da supervisão" para resolver os problemas do banco adquirido (Banif), alegando que a situação da instituição havia se agravado pela demora de quase três anos para aprovação da venda ao Master pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf).
Ele recomendou ainda que o banqueiro destacasse a forma como foi diversas vezes "investigado" pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), espécie de seguro dos bancos, e mencionasse conversas em que o Fundo deixava clara a intenção de reduzir a cobertura de garantias, o que colocava em risco as captações do banco via plataforma digital.
O servidor orientou também que Vorcaro deveria citar ter tomado conhecimento, via departamento de supervisão do BC, de críticas vindas de instituições do segmento S1 (que são os grandes bancos) e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), instituição que presenta os bancos médios e pequenos, sobre uma "percepção equivocada" de seu modelo de negócios. O banqueiro foi orientado a garantir que já vinha tomando providências para realizar aumento de capital do banco.
Sobre a venda e liquidação dos ativos do Voiter a seu ex-sócio, Augusto Lima, Vorcaro foi orientado a dizer que essa operação formaria um patrimônio líquido de R$ 800 milhões. O antigo Banco Voiter (depois rebatizado Banco Pleno) ficou com Lima a partir de 2025, antes de sofrer liquidação extrajudicial pelo Banco Central em fevereiro de 2026.
Em nota, o advogado de Belline Santa, Leonardo Palazzi afirma que seu cliente é inocente. A defesa de Paulo Sérgio não se pronunciou até o fechamento desta edição.
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