‘Quero continuar acreditando num país onde a diversidade não seja motivo de medo’
É com grande alegria que a coluna abre alas hoje para Nanda Costta, 40 anos, natural de ...
É com grande alegria que a coluna abre alas hoje para Nanda Costta, 40 anos, natural de Paraty, cujo talento você vê na nova série "Dom de iludir", produção nacional da Netflix, em que ela interpreta Irina, golpista profissional que se apresenta inicialmente como uma terapeuta espiritual. Ao lado de Marieta Severo e Alice Wegmann, Nanda não esconde sua animação com a trama.
"Quando comecei a ler o roteiro, fiquei impressionada com a quantidade de reviravoltas. E a Irina é uma personagem que vai revelando suas camadas aos poucos. Contracenar com Marieta e Alice foi um presente. Marieta é um farol, e a Alice é uma parceira de uma generosidade imensa. E, enquanto nossas personagens viviam relações tão turbulentas, a gente se divertia. Dancei até funk com a Marieta", disse Nanda, em conversa com Nelson Lima Neto, da turma da coluna.
A atriz comentou, aliás, a semelhança do enredo de "Dom de iludir" com a história real que veio à tona em 2024 de Geneviève Boghici, viúva do marchand Jean Boghici, que teria sido enganada pela própria filha, Sabine, e uma falsa vidente, envolvendo valores estimados em R$ 720 milhões.
"Por mais absurdas que algumas histórias pareçam, a realidade muitas vezes consegue ser ainda mais surpreendente. Mas é importante dizer que ‘Dom de iludir’ é inteiramente ficcional, não é baseada nesse caso. A série vai muito além de um golpe", explica Nanda.
"Ninguém ali é inteiramente bom ou mau. Até onde alguém pode ir acreditando que está agindo por amor? Que amor é esse que não permite ao outro existir e fazer suas escolhas? E ainda temos um casal sáfico trambiqueiro", brinca ela ao se referir à fervente relação com a personagem de Alice Wegmann (foto menor).
Outro assunto de grande importância para Nanda, nas últimas semanas, foram as eleições. Ela não escondeu seu apoio à candidatura de Lula à Presidência e trouxe um pouco da sua visão de mundo e de aspectos fundamentais para a vida em sociedade:
"A minha própria existência, como mulher, lésbica e mãe de duas meninas que têm duas mães, já carrega uma dimensão política. E, quando falo de política, falo sobretudo de direitos, liberdade e do país em que quero que minhas filhas cresçam. Não espero que todos pensem como eu. A democracia pressupõe a convivência com as diferenças. Mas existe uma distância entre discordar e desrespeitar. Quero continuar acreditando num país onde a diversidade não seja motivo de medo ou violência, mas parte da nossa riqueza".
Em tempo...
A coluna não deixou de perguntar a Nanda como foram as gravações das cenas mais íntimas com a querida Alice Wegmann. A repercussão, por sinal, tem sido assunto nas redes sociais:
"A Alice é uma atriz maravilhosa, generosa e entregue. Construímos uma relação de confiança e cumplicidade, fundamentais para as cenas de intimidade. A Irina, tão acostumada a controlar tudo, acaba surpreendida por uma paixão. E a Maíra (personagem de Alice) encontra uma possibilidade de viver algo longe do controle da mãe. Fico feliz que o público esteja torcendo por elas."
(A entrevista completa você encontra no blog da coluna)