Por uma política social pra valer, sem gastar mais e com mais resultado
Toda vez, como agora, que se discute a necessidade de equilíbrio fiscal nas contas ...
Toda vez, como agora, que se discute a necessidade de equilíbrio fiscal nas contas públicas, reacendem-se, além de fórmulas mágicas tipo "abracadabra" para resolver o problema, certos temores " como o de alguns setores de que o alvo de eventual ajuste é sempre uma "tesourada" nos programas sociais. Neste cenário, vem aí em fevereiro o livro "Chega de improviso", onde dois notáveis economistas, Edmar Bacha (foto) e Arminio Fraga, e o sociólogo Simon Schwartzman reuniram 21 especialistas que procuram mostrar, veja só, que o problema da política social brasileira não é falta de dinheiro, e sim, para usar uma expressão de Bacha, um "desenho ruim". Para ele, "este desenho se conserta sem cortar o que chega aos pobres". Editado por Roberto Feith, do selo História Real/Intrínseca, o livro é uma espécie de receituário completo de reformas para segurança pública, saúde, educação, mercado de trabalho, transferências de renda, previdência e cidades " mostrando, caso a caso, que o país gasta muito na área social e entrega pouco porque governa no improviso. Os economistas Vinícius Botelho e Fernando Veloso, por exemplo, mostram que os R$ 330 bilhões gastos hoje em oito programas bastariam para erradicar a pobreza extrema se fossem reunidos num benefício único. Esse benefício seria, nessa visão, maior para famílias com idosos, pessoas com deficiência e crianças, e diminuiria aos poucos com a renda, em vez de ser cortado de uma vez. "Não se corta um real; gasta-se melhor o mesmo real", completa Bacha. "Chega de improviso" tem prefácio do ex-ministro Pedro Malan e a orelha da economista Ana Carla Abrão. Na quarta capa, assinam os economistas Eduardo Giannetti e Elena Landau, além do ex-governador capixaba Paulo Hartung.
Tomara que estejam certos.