Projeção de inflação sobe para 4,71%, acima da meta
As projeções de analistas de mercado para a inflação deste ano subiram pela quinta semana ...
As projeções de analistas de mercado para a inflação deste ano subiram pela quinta semana consecutiva, superando, pela primeira vez, o teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), mostrou o Boletim Focus, pesquisa semanal do órgão sobre as estimativas para indicadores econômicos. Na edição da semana passada, divulgada ontem, as projeções para o IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, em 2026 apontam para uma alta de 4,71%. A meta é de 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Há cinco semanas, antes do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, as estimativas apontavam para uma alta de 3,91% no IPCA de 2026 fechado.
Para Leonardo Costa, economista do banco de investimentos ASA, a piora nas projeções reflete a disparada nas cotações do petróleo, por causa da guerra no Oriente Médio. E tudo indica que uma acomodação no preço do barril ainda levará tempo.
" O efeito da guerra tem se mostrado maior e mais duradouro. O preço do petróleo não voltou ao patamar anterior e nem deverá voltar. Vamos colher efeitos de segunda ordem. A cadeia toda fica prejudicada. Um choque de commodities se espalha pela economia como um todo " disse Costa, afirmando que as próximas projeções da inflação do Boletim Focus deverão mostrar novas revisões para cima. O ASA já vê o IPCA em 5% no fim deste ano.
Para a gestora Ativa Investimentos, a alta nas estimativas também incorpora o IPCA de março, divulgado na sexta-feira, com alta mensal de 0,88%, que surpreendeu as projeções " antes da divulgação, pesquisa do jornal Valor com analistas apontava uma alta mensal de 0,76%. Em relatório, o economista-chefe da gestora, Étore Sanchez, afirmou que os agentes "incorporaram uma inércia maior" do choque do conflito diante da pressão inflacionária também para 2027.
Na edição do Focus divulgada ontem, o mercado vê o IPCA a 3,91% no ano que vem, ante 3,79% antes do início da guerra. Com a relevância do petróleo na balança comercial, o mercado agora vê a taxa de câmbio em R$ 5,37 em dezembro, ante R$ 5,40 na semana anterior " a disparada do barril tende a aumentar o fluxo de divisas para o Brasil. A expectativa para a Taxa Selic (a taxa básica de juros, hoje em 14,75% ao ano) no fim deste ano ficou em 12,5%, acima dos 12% projetados antes do início da guerra. (Paulo Renato Nepomuceno)
R$ 5,37
É a nova estimativa de mercado para a taxa de câmbio no fim de 2026
Na semana anterior, projeções apontavam para dólar a R$ 5,40