Sábado, 29 de Agosto de 2026

Dira paes e a luta sem trégua contra o trabalho infantil

BrasilO Globo, Brasil 29 de agosto de 2026

Protagonista de "Lá na minha terra", próxima novela das seis da TV Globo, Dira Paes acaba ...

Protagonista de "Lá na minha terra", próxima novela das seis da TV Globo, Dira Paes acaba de ser nomeada para integrar o novo conselho consultivo criado na Justiça do Trabalho, em Brasília, com foco no combate ao trabalho ilegal de crianças e adolescentes. Sua escolha para integrar esse conselho " formado por notáveis do meio jurídico ligados ao tema e também por representantes da sociedade civil " não surpreende a quem acompanha a trajetória da atriz paraense de 57 anos desde, pelo menos, 2003. Naquele ano, ela fez parte de um coletivo recheado de artistas que fundou o Movimento Humanos por Direitos (MHuD), cujos pilares eram a luta contra o trabalho escravo, contra a degradação do meio ambiente, pelos direitos dos indígenas e dos quilombolas e pelos direitos das crianças e adolescentes.
Dira diz que, ao longo desses anos, viu "a necessidade de ampliar e fortalecer a luta contra o trabalho infantil, pois é inadmissível conviver com as piores formas de exploração infantil, seja no campo ou na cidade, seja ele declarado ou invisibilizado". Para ela, enquanto não houver a erradicação total do trabalho infantil, ainda há muito a se fazer. "É preciso dar continuidade e zelar pela criança na sua plenitude de desenvolvimento criativo e de aprendizagem, e insistir no cumprimento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)".
Só que a luta de nossa atriz pela erradicação do trabalho infantil e pela defesa de que lugar de criança é na escola não é fácil. Essa cruzada esbarra agora em algumas vozes poderosas. Em maio, no podcast "Inteligência limitada", Romeu Zema, o ex-governador mineiro e candidato a presidente, defendeu a flexibilização das leis sobre trabalho infantil. O próprio Bolsonaro, em julho de 2019, na época presidente, defendeu o trabalho infantil e usou o próprio exemplo para dizer que "não foi prejudicado em nada" por ter colhido milho aos "9, 10 anos de idade" em uma fazenda.
Mas Dira, que também integra o movimento Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil e é conselheira do Observatório do Trabalho Decente, lembra que, no Brasil, o trabalho infantil envolve, na sua grande maioria, "crianças periféricas, ribeirinhas, moradoras desse Brasil longínquo que são cooptadas dentro da sua vulnerabilidade social". Ela enfatiza: "Nós, como adultos que somos, temos o dever de proteger as crianças do Brasil".
Aliás, ela, como atriz, atuou em três filmes em que o tema foi abordado. Em "Pureza" (2022), de Renato Barbieri, Dira viveu uma mãe que desafiou fazendeiros para resgatar o filho da escravidão contemporânea na Amazônia. Os outros foram "Baixio das Bestas" (2006), de Cláudio Assis, e "Manas" (2024), de Marianna Brennand.
Em tempo: Em "Lá na minha terra" (Globo), com estreia prevista para 9 de novembro, Dira Paes interpretará Rosenda, uma mulher que sai do Nordeste para procurar, em São Paulo, o marido (Daniel de Oliveira), 15 anos depois de deixá-la com a promessa de buscar uma vida melhor para a família. Ao chegar à cidade, Rosenda descobre que ele ficou rico, mudou de nome e tem uma amante (Camila Morgado). A novela das seis, criada e escrita por Mário Teixeira, terá direção artística de Allan Fiterman e direção geral de Pedro Brenelli.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela